Com o impulso caminhante, percorremos pelas confeitarias, casas de famílias imigrantes como as nossas e, imersos na moderna e pitoresca Curitiba, nossas ideias se complementaram com comentários acerca da forte tradição literária e jornalística da cidade, com tipografias, folhetins e associações culturais, ainda que em escala modesta.
No café que escolhemos, não deixamos de ouvir o som do sino que chamava os fiéis de chapéu-coco e também não deixamos de bisbilhotar com os ouvidos as conversas em várias línguas em meio aos arranhões sonoros do gramofone.
Pedi meu café, soltei um per favore e Francisco fez o mesmo. Ah, o café quentinho para o frio, frio que moldava os hábitos curitibanos bem como nosso imaginário!
No segundo café, antes de dar o primeiro gole, meu amigo segurou minha mão.
"Agora que despertou com o primeiro, saboreie o segundo."
E retirou da bolsa uma garrafinha pequena.
"Muito esperto, pode colocar mais do que o necessário."
Assim, o gostinho do bagaço da uva vindo da grappa deu-me vida. Nada disse além de salute!
"E então, meu bom Narciso, como são os italianos da américa de cima?"
"Nada paranistas, o pinheiro e pinhão fazem falta para aquelas cabeças."
"Eu imagino!", Francisco riu comigo.
"Só nós temos os altos e fortes braços abertos para o futuro, não é?"
"É mesmo…", olhou para seu Santos Dumont igual ao meu. "Veja, preciso encontrar minha mulher, mas é sempre bom te ver, ainda mais quando parte de coincidência, já que não avisa ninguém."
"Não aviso nem a mim mesmo!"
"É o que parece, meu solitário sensível."
"Será mesmo?", sensível eu era e bastante.
"Cinema hoje no Avenida?", veio à sua mente uma programação repentina.
"Cinema hoje não."
"Até mais! E seja ponderado no foxtrote com as moças risonhas", pagou a conta com gosto e acenou pra mim da porta; e cantarolou como um personagem cômico pelas ruas: "Curitiba! Oh linda Curitiba! Que não tem o afán dos turbilhões e o barato das grandes civilizações, mas tem a graça, o atrativo das cidades que se estão formando, das cidades que amanhã serão como as outras, turbulentas e infernais…"
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